28 abril 2016

Eu te amo.

Estou muito ansiosa e o coração apertado das saudades que vou sentir tuas. Cada segundo passado para mim é uma dor incomparável.
Já são seis da noite, ainda não estou pronta, preciso passar o batom vermelho de sempre e aquele perfume com cheiro de jabuticaba.
Seis e trinta, você chegou e meu irmão logo falou: “Já preparou os lenços rapaz?”, um sorriso encabulado saiu da sua face.
Saímos. Vamos sentar no calçadão, onde só dobra a esquina. O melhor lugar para nós dois, não tem sobrinhos nos seguindo ou alguém interrompendo nossas conversas.
Sentamos e por questão de dez minutos olhamos atentamente um para o outro reparando em cada detalhe do rosto.
De repente...
Uma lágrima caí, não minha, sua. Você sempre foi muito sentimental e não viria apenas "uma lágrima", viriam várias e foi o que aconteceu. Eu já estava no choro. O sentimento naquele momento se chamava apenas saudades!
Esqueci meu mundo, todo! Não reparei mais em quem passava olhando para nós chorando feito bebês. Meu mundo na verdade estava ali, bem ao lado, lhe abracei e você sussurrou no meu ouvido bem baixinho: “Olhos fechados, pra te encontrar, não estou ao seu lado, mas posso sonhar... Aonde quer que eu vá, levo você no olhar!”
Me pediu desculpas por não saber cantar igual aos conformes de um cantor e claro, que bobagem, eu lhe desculparia de todo modo.
Já são nove horas da noite e estamos correndo perigo de sermos assaltados nessa rua vazia, só com bêbados no bar da esquina, carros nesse semáforo louco de  Petrolina e nós dois ali, sozinhos.
Foram os melhores beijos, abraços. Intensos. Com sabores de saudade. Cada toque era uma lágrima escorrendo sobre nós dois.
Voltamos para minha casa, ninguém na avenida, nem meus parentes. Seus pais haviam acabado de entrar. Pelo menos ninguém viu nossa tristeza ao dizer "Tchau. Eu te amo!",  fechar os portões e trocar vários olhares.
Entramos de vez, separados agora por avenida, concreto, tijolos, telhas, portões. Entrei no quarto em que dormi por um mês e era acordada por você me olhando. Logo coloquei o pijama. Peguei o celular e já tinha mensagem no whatsApp: “Minha flor, irei sentir saudades tuas, eu te amo.”
Choro e mais choro. Não consegui dormi naquela noite, fiquei acordada até quatro horas da madrugada, o horário de ir para rodoviária. Você não conseguiu ficar acordado comigo, sempre dormia cedo e sua mãe não deixava. No outro dia iriam para sua vó, como todo domingo.
Hora da partida, enquanto meu irmão colocava minhas compras, mala, bolsa no porta-malas do carro, olhei sua casa que é em frente e mandava beijos ao vento para ao menos chegar em ti.
Estou na rodoviária de Petrolina. Comprei às passagens de volta para Russas. Esse momento meu irmão ficou tirando brincadeiras comigo e me desliguei um pouco da dor.
Ônibus chegou, abraço meus parentes e parto. Motorista avisa todos para colocarem os cintos de segurança. Estamos saindo. Fico olhando à cidade quando toca uma das nossas músicas, que você cantou para mim no calçadão na noite passada. Uma lágrima cai e na mesma hora, estou passando na vila da sua casa.
Chorei.
Pego no sono, acordo com o celular vibrando da mensagem chegando quando deu sinal de área.
Nela, estava digitado:
“Aonde quer que eu vá, levo você no olhar, aonde quer que eu vá...”
Te amo!


-Carol Barbosa, Doce Carola.

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